O seminário Esporte e Arte Educacionais Indígena e Não Indígena – Pela Identidade, Afirmação e União entre os Povos iniciou sua segunda parte de debates, com o terceiro painel “Escola indígena, Saberes Tradicionais”, com o objetivo de conhecer mais sobre a cultura indígena e deste modo facilitar o entendimento de questões de políticas públicas que hoje fazem parte desse universo.
O coordenador de Educação Escolar Indígena, Felix Rondon Adugoenau, apresentou um pouco de sua cultura e das tradições indígenas de modo geral. Ele explicou a ideia coletiva que os povos da floresta têm sobre si, bem como sua preocupação com a entrada das ideias que primam pelo direito individual, em detrimento do pensamento em conjunto.
“Quando se fala em direito coletivo, não é o meu interesse que vai favorecer, mas sim do meu povo. Essa é a maneira indígena de pensar, mas algumas pessoas já estão falando em direito individual dentro das aldeias. A comunidade se pulveriza mais facilmente, quando se tenta dominar um povo que não têm uma fala coletiva”, declarou Felix.
O coordenador abordou o processo de interculturalidade, interação entre culturas diferentes, e explicou que, na sua perspectiva, não se trata de algo positivo. “Na interculturalidade, o mais forte se sobrepõe, por isso não funciona”, justificou. Para ele, os indígenas ficam em desvantagem quando se tenta esse tipo de integração.
A representante da Funai no Médio Purus, Linete Ruiz Ferreira, reforçou o ideal que promove o coletivo entre os indígenas e a diversidade cultural dos povos. “Todos os povos indígenas tem sua organização, mas o que eles têm em comum é que nenhum está à frente do outro. A organização cosmológica é circular”, afirmou. “Imagine que estamos em um país com mais de 200 povos diferentes. Às vezes dentro do mesmo povo há formas de vida diferentes, devido a distancia de algumas comunidades, que adquirem jeitos diferentes de viver”.